Trabalho do português Abel Ferreira ainda é incomparável
Quando a Chape cansou, Ponte teve até chance de vencer a partida
No início deste mês morreu o ex-lateral-esquerdo Luisinho, com passagem pela Ponte Preta nos anos 60 do século passado. Ele foi irmão do também lateral-esquerdo Caíca, que passou pelo Guarani.
Luisinho, que participou da campanha de acesso do clube ao Paulistão em 1969, é o personagem enfocado na coluna Cadê Você. que pode acessada no link específico, https://blogdoari.futebolinterior.com.br/ , localizado no alto da página.
Naquela plataforma, novos leitores podem, igualmente, acessar a seção de comentários sobre o jogo entre Chapecoense e Ponte Preta.
VARIAÇÕES
Esse empate sem gols entre Chapecoense e Ponte Preta, na tarde/noite desta terça-feira em Chapecó, interior catarinense, nos remete a várias reflexões, a começar por posturas dos treinadores Umberto Louzer e João Brigatti, assim como interpretações questionáveis sobre a performance do goleiro Pedro Rocha.
Foi um jogo com 'cara' apenas do mandante durante o primeiro tempo, enquanto coube à Ponte Preta maior volume ofensivo durante os 15 minutos finais, inclusive com duas chances reais de gols desperdiçadas, já nos acréscimos, além de outra durante o primeiro tempo.
TRÊS VOLANTES
Brigatti buscou um formato tático para fortalecer a marcação no meio de campo da Ponte Preta, com três volantes, com a inclusão de Lucas Bochecha, e assim desobrigar o meia Élvis de fazer a recomposição.
Logo, abriu mão de um atacante de beirada - caso de Matheus Régis - provavelmente considerando que a preferência por Iago Dias fosse compensada pela obediência tática de ajudar na marcação.
Evidente que Matheus Régis ficou contrariado, pois nada justificava reclamação acintosa, no banco de reservas, que resultou em expulsão aos 18 minutos do segundo tempo.
Só que a escalação de Lucas Bochecha em nada acrescentou, tanto que acabou substituído com vantagem por Ramon Carvalho.
INTENSIDADE DA CHAPE
A intenção de Brigatti de fortalecer a marcação só não foi por água abaixo, durante o primeiro tempo, porque o total predomínio da Chapecoense não foi traduzido em gols nas incontáveis vezes que a bola rondou a área pontepretana.
De que adiantou à Ponte Preta a indicação de suposto recuo de Iago Dias se o lateral-direito JP Galvão avançou seguidamente ao ataque, sem a devida marcação do atacante pontepretano, ou cobertura de Bochecha, por ali.
Assim, a Chapecoense construiu as melhores jogadas ofensivas pelo lado direito, sem a devida complementação.
Paradoxalmente, a Ponte Preta que não havia criado absolutamente nada no ataque naquele período, contou com a melhor chance até então, para inaugurar o placar, mas o desperdiçou.
Aos 52 minutos, Élvis lançou o atacante Gabriel Novaes com a zaga catarinense desprotegida, mas o goleiro Matheus Cavachioli chegou segundos antes abafando a bola.
CHAPE CANSOU
A estratégia da Chapecoense de colocar muita intensidade durante o primeiro tempo custou desgaste físico de jogadores como JP Galvão, Foguinho e Thomás, que começaram a ser substituídos apenas a partir dos 25 minutos do segundo período, do que se aproveitou a Ponte Preta para 'respirar' e adiantar as linhas.
Aí, Brigatti flagrou que poderia explorar a marcação afrouxada do adversário e até tentar vencer a partida.
Foi quando trocou o volante Dudu Vieira pelo meia Dodô e 'oxigenou' o seu ataque com entradas de Jeh e Renato nos lugares e Gabriel Novaes e Iago Dias.
E quase logrou êxito na estratégia, pois em lances consecutivos, a partir do 51º minuto, o lateral-direito Igor Inocêncio ficou de frente para o goleiro Matheus Cavachioli, mas 'penou' a bola, enquanto na finalização de Dodô ela passou bem perto do poste esquerdo.
PEDRO ROCHA
Aí o locutor de televisão 'encheu a bola' do goleiro Pedro Rocha, interpretando que teria praticado defesas de alto nível.
Calma! Realce apenas para o chute forte do Thomás, em que ele foi preciso na bola, mesmo com visão encoberta por vários jogadores à sua frente.
E se a bola rebatida em finalização do lateral Mancha alguém aproveitasse a sobra e marcasse?
O que diriam?
Aquele chute forte, de longa distância de Marlone, convenhamos que era obrigação qualquer goleiro praticar a defesa.
Reflitam!
O trabalho do treinador português Abel Ferreira, no Palmeiras, é o ensinamento à 'treinadorzada' brasileira de uma liderança em todas frentes de comando: técnica, tática e absoluta ascendência sobre o elenco.
A capacidade para melhorar a qualidade do atleta, através de postura tática, provoca convencimento no comandado, que aceita com naturalidade as decisões, mesmo com espera de retorno entre os titulares.
BOLA QUEBRADA
Não é preciso acompanhar o dia a dia dos treinos do Palmeiras para diagnosticar que Abel não admite que seus atletas façam aquilo que não sabem com a bola.
Zagueiro driblar nas imediações de sua área, diante de marcação alta, nem pensar.
Parece que estou ouvindo o meu então treinador Baé, do juvenil do Independente do Bosque, gritar pra 'bacaiada quebrar a bola', que na linguagem correta é se desfazer da dela ou dar chutão.
DESMARCAR
Palmeiras é um time que de forma contínua sempre algum de seus jogadores aparece desmarcado para receber a bola, devido à constante movimentação.
Claro que isso é treinado, de forma que o atleta se livre de marcadores, para receber o passe certeiro e rapidamente.
E assim o giro continua no campo do adversário, na tentativa de aproximação da área.
Nas jogadas de beiradas de campo, as triangulações são envolventes e geralmente completadas com cruzamentos rasteiros ou no alto, geralmente com chegada de três jogadores para o arremate.
No alto, Abel criou função para o centroavante Flaco Lopez, na impossibilidade do cabeceio direto, optar por ajeitar a bola visando o arremate de companheiros.
Assim, seu parceiro de ataque Endrick tem sido abastecido e convertido chances em gols.
ZAGUEIROS NO ATAQUE
O repertório de gols de zagueiros, principalmente em jogadas de bola parada, se dá porque são orientados a participação neste quesito em todas as ocasiões.
O Palmeiras também é uma das equipes que mais arremata ao gol adversário de fora da área, principalmente quando fica clara a dificuldade de penetração.
GOLEIRO WEVERTON
O goleiro Weverton teve papel preponderante em lances na vitória do Palmeiras sobre o Santos por 2 a 0.
Como tem colocado em prática rápida reposição de bola, o lance surtiu efeito positivo, pois no desdobramento da jogada foi marcado pênalti do goleiro santista João Paulo sobre Endrick.
Essa reposição tem sido vista nas últimas partidas do Palmeiras, com finalidade de pegar a defesa adversária desprotegida, e assim explorar a velocidade principalmente de Endrick.
Logo, se o Flamengo dispõe de jogadores tecnicamente até mais qualificados que o Palmeiras, está claro que ajustes táticos fazem a equipe comandada por Abel crescer e se tornar presença obrigatória na decisão de títulos.
Abel Ferreira, o melhor treinador do Paulistão
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