Parar o Brasileirão, não; clubes campineiros e os seus desafios
Linfurc comemora 'bodas de prata' com pioneirismo
Foi no dia 29 de maio de 1999 que quatro representantes de clubes amadores de Campinas se reuniram na sede do Clube Estoril - no bairro que leva o mesmo nome - para discutir e fundar uma liga de futebol, com a finalidade de organizar competições para as chamadas categorias mais velhas.
Lá estavam Ariovaldo Izac (Ari), sargento Pereira, José Bueno da Silva e Renato (Natão), representantes respectivamente de Cecojam, Estoril, Cambuí e Realmatismo de Barão Geraldo.
No primeiro ano em curso, foram realizadas competições para as categorias veteranos (acima de 33 anos de idade) e master (acima de 40 anos de idade).
Com intuito de desarmar clubes mandantes com hábito de pressionar a arbitragem, ficou convencionado que eles se responsabilizariam pela indicação do juiz, o chamado árbitro do barranco.
Seria um voto de confiança para distinguir quem era quem na ordem do dia, e os reais interesses de cada um.
Exceção, à regra, eram jogos das finais.
Os eventos iniciais incentivaram incontáveis atletas propensos a desistirem de jogar futebol, para o retorno.
Foi quando sabiamente a diretoria da entidade iniciou o processo de criação de outras categorias, como supermaster (acima de 45 anos), hipermaster (acima de 50 anos) e sessentão.
PIONEIRISMO
O pioneirismo da Linfurc em resgatar às competições a atletas que praticamente haviam desistido de jogador futebol mobilizou clubes além da Região Metropolitana de Campinas, como Vinhedo, Valinhos, Indaiatuba, Hortolândia, Sumaré, Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Paulínia, Nova Odessa, Jaguariúna, Pedreira, além de Campinas.
Durante o percurso, em um dos anos da primeira década do século, a entidade organizou o Campeonato Hipermaster em duas divisões, sendo 36 na primeira e oito na segunda.
Com o decorrer dos anos, parte das cidades citadas copiaram o modelo Linfurc de valorizar a 'velharada', e passou a organizar as suas competições locais.
JOSÉ ROSA
Hoje, presidida por José Rosa, a Linfurc cumpre a trajetória de ininterruptamente organizar os seus campeonatos neste 25 anos.
Eu, o Ari, foi o presidente de maior tempo no cargo, seguido por Reinaldo Bascos.
Pra arrematar, coube à Linfurc inovar também com a criação do primeiro site de futebol amador da RMC, em período que os jornais da cidade se negavam às publicações.
As incógnitas se caracterizam o jogo do Guarani contra o América
O empate sem gols do América Mineiro ao recepcionar o Mirassol, na quarta-feira passada, de certo não serviu de parâmetro para que o treinador Júnior Rocha, do Guarani, conheça em detalhes a estratégia do Coelho, seu adversário na noite da próxima segunda-feira, em Campinas.
Como cada jogo tem a sua história, o Mirassol se preocupou basicamente em se defender, fechou os espaços para infiltrações do clube mineiro, e o que se viu, ao longo daquela partida, foram incontáveis chuveirinhos, quase todos rechaçados pelo Mirassol, que conta com miolo de zaga alto, principalmente Luiz Otávio.
Logo, como o Guarani obrigatoriamente vai propor o jogo, teria o América mais espaço para infiltração em seu toque de bola, com reduzido erros de passes.
DESARME
Uma coisa é certa para quem viu aquele empate com o Mirassol: provavelmente o América Mineiro seja inigualável, entre integrantes desta Série B, no quesito desarme às tentativas de jogadas do adversário.
E quando não toma a bola na 'boa', tem usado a mesma artimanha do Guarani de 'picotar' o jogo, com seguidas faltas.
Ora, esse jogo contra o Mirassol foi tão atípico para as observações de Júnior Rocha, pois se o América quase não foi atacado, qual o ponto vulnerável que o Guarani pode explorar?
MATHEUS HENRIQUE
Se Rocha prestou bastante atenção naquele jogo, nas raras vezes que o atacante de beirada Fernandinho, do Mirassol, foi acionado, foi nítica a vantagem que levou, até com facilidade, sobre o lateral-direito Matheus Henrique.
Problema é que as jogadas de Fernandinho não tiveram continuidade por falta de aproximação de companheiros no ataque. Logo, o jeito foi ele driblar até perder a bola.
Estaria Rocha pensando em alternativas pelo setor, para fluxo nas jogadas por ali?
CHAY
Pelo desempenho abaixo do esperado contra o Coritiba, o recomendável seria o meia Chay perder a posição para reservas que pedem passagem.
Uma nova chance, em casa, seia recomendável para Chay provar que ainda merece a titularidade?
São interrogações para serem dirimidas pelo seu comandante.
Diante do inoperante Botafogo, Guarani fez a obrigação de casa
O Guarani não fez mais que a obrigação ao vencer o Botafogo de Ribeirão Preto, por 2 a 0, na tarde/noite deste sábado, em Campinas, recuperando-se após três derrotas consecutivas.
Obrigação porque não poderia ter enfrentado um adversário claramente vencível, conforme visto no empate sem gols contra o Mirassol, e com perda de três titulares do compartimento defensivo, por expulsões naquele jogo: dois zagueiros e um lateral-direito.
Ainda do Botafogo, do meio de campo ao ataque sequer confirmou a previsão de alguns lampejos do atacante de beirada Douglas Baggio.
E mesmo com a citada inoperância, o Botafogo ainda teve duas chances contra o Guarani: primeiro quando o meio-campista Gustavo Buchecha, dentro da área, chutou a bola para fora. Depois, o goleiro Vladimir praticou defesa difícil em finalização do zagueiro Ericson.
ALGUNS AJUSTES
A despeito de ter enfrentado um adversário 'mamão com açúcar', conforme prenunciado neste espaço no transcorrer da semana, seria despropósito não citar alguns arranjos feitos pelo treinador bugrino Júnior Rocha, na vitória deste sábado.
Se o cinturão na cabeça da área do Guarani ainda carece de jogadores para o desarme, pelo menos o time soube 'picotar' o jogo com seguidas faltas.
Para evitar comprometimento em saída de bola, o compartimento defensivo bugrino soube distinguir o momento possível de toques sem risco das ocasiões em que chutões são indispensáveis, principalmente quando o adversário coloca em prática marcação com linha alta.
CHANCES CONVERTIDAS
No geral, ambas equipes abusaram de erros de passes e criaram poucas oportunidades de gols, com o diferencial de o Guarani saber aproveitá-las.
Em bola cruzada pelo meia Chay, pela esquerda, aos 22 minutos, registro para falha do goleiro Michael que a 'socou' apenas para tirá-la de sua área, e a sobra ficou com o atacante bugrino João Victor, que finalizou e marcou.
Após isso, outra chance real do Guarani foi em lance de contra-ataque, quando o centroavante Luccas Paraízo - que havia substituído o lesionado Caio Dantas - arrancou na velocidade, ganhou a disputa com o zagueiro Fábio Sanches, e, no arremate, teve precisão ao deslocar o goleiro Michael e colocar a bola no canto esquerdo, aos 20 minutos do segundo tempo.
CONFIANÇA
A despeito de muita coisa ainda precisar ser implementada no futebol do Guarani, o certo é que a vitória desanuvia aquele clima tenso no clube, devido à sequência de insucessos.
Vitória sempre ajuda a restabelecer a confiança nos jogadores, e assim o treinador Júnior Rocha poderá avaliar outras opções em seu elenco.
No governo federal da gestão passada, a população conviveu sem queixas do desaparecimento do Ministério dos Esportes.
Aí, quem assumiu o poder adotou a posição de reativá-lo.
Pra que a reativação?
Para o chefe da pasta, André Fufuca, adotar postura questionável após a decretação de Estado de Calamidade Pública pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Fufuca enviou ofício à CBF solicitando a paralisação dos campeonatos nacionais de futebol enquanto aquela situação perdurar.
Como não há clube gaúcho na Série B do Brasileiro, não há porquê generalizar.
Adiar-se jogos de Grêmio e Inter por tempo indeterminado, mesmo que isso exija prorrogação do término do Brasileirão, plenamente aceitável.
Generalizar, não. E sabiamente o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, disse que vai consultar os clubes sobre a solicitação, já presumindo a lógica resposta.
Uma coisa é a dor nos corações dilacerados dos irmãos gaúchos, em luto por perdas de familiares e casas destruídas; outra coisa é parar tudo.
Em prol dos gaúchos, a população continua mobilizada através de campanhas para doações de alimentos, água e cobertores, mas Estados não atingidos pela catástrofe têm que continuar com os seus desafios.
JOGO DOS EX
E não é que a Ponte Preta terá confronto na tarde/noite deste sábado contra o Operário, no Paraná, clube que mostra ex-jogadores pontepretanos.
Lá estão o volante Índio, meia Cássio Gabriel e atacante Guilherme Pira, lembra-se dele?
Passou por Campinas no primeiro semestre da temporada passada e abusava de seguidos dribles até ser desarmado.
O atacante Maxwell, que não deixou saudade ao torcedor bugrino em 2022, foi titular da equipe paranaense na derrota para o Vila Nova por 1 a 0.
O Operário estreou na Série B com vitória sobre o Avaí, em jogo de portões fechados, pois o clube havia sido penalizado pelo TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da CBF, devido aos incidentes em partida contra o Busque, pela Série C do ano passado.
E sem público, naquele jogo no Estádio Germano Krüger, o Operário teve que arcar com prejuízo de R$ 73.060,81.
Depois, foi jogar em Itu e venceu o Ituano.
E O GUARANI?
Após o Guarani acumular três derrotas consecutivas na competição, o seu torcedor tem claro motivo para cobrar recuperação, ao enfrentar o Botafogo, a partir das 17h deste sábado, em Campinas: o adversário ficou com a defesa desmontada devido às expulsões de dois zagueiros e um lateral-direito no jogo contra o Mirassol.
Resta saber se o treinador Júnior Rocha já conseguiu alguns ajustes para melhorar o pobre rendimento da equipe.
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